domingo, 18 de janeiro de 2009

A Balança de Pagamentos

BALANÇA CORRENTE (Ver Quadro A.4.15, página 221
A Balança Corrente portuguesa registou sempre desde 1998, saldos negativos, o que significa que o total dos créditos foi inferior ao total dos débitos. O país para financiar esses défices, teve de utilizar divisas ou contrair empréstimos externos para efectuar o pagamento do excesso de importações relativamente às exportações.
Da análise do Quadro A.4.15 (página 221), verifica-se que a Balança Corrente portuguesa apresentou, entre 2000 e 2004 um saldo negativo, entre 2003 e 2004 de valor absoluto crescente e entre 2001 e 2003 de valor decrescente. Esta melhoria verificada no saldo da Balança Corrente entre 2001 e 2003 resulta, segundo o Banco de Portugal, da desaceleração da actividade económica portuguesa, associada ao aumento da poupança das famílias e da retracção do investimento. A recuperação dos fundos da União Europeia contribuiu para a menor necessidade de financiamento da economia portuguesa. Pode-se também afirmar que a melhoria do défice da Balança Corrente neste período resulta da redução do défice da Balança de Mercadoria, como se verificou anteriormente. O agravamento do saldo da Balança Corrente entre 2003 e 2004 deve-se ao agravamento dos saldos das Balanças de Mercadorias, de Rendimentos e de Transferências Correntes. A situação reflecte também o aumento dos preços do petróleo.
BALANÇA DE CAPITAL (Ver Quadro A.4.15, página 221)
A Balança de Capital regista os fluxos de capitais entre residentes e não residentes num determinado país. A Balança de Capital regista as transferências de capital que não dão origem a um fluxo futuro de pagamento de rendimentos em sentido oposto. Os fluxos de capitais são constituídos pelas:
 Transferências de Capitais – como os fundos provenientes da União Europeia, e neles estão incluídos os recebimentos dos fundos de Coesão e do PRODIP e parte dos fundos provenientes do FEDER e FEOGA-Orientação;
 Aquisições/cedências de activos não produzidos, não financeiros – isto é, as transacções (compra e venda) de activos intangíveis (patentes, marcas, copyright e franchising) e outras transacções de activos tangíveis (aquisição de terrenos e habitações por embaixadas e instituições internacionais).
A Balança de Capital tem registado nos últimos anos saldos positivos devido ao afluxo de capitais provenientes da União Europeia a partir dos fundos estruturais. Entre 1998 e 1999, os saldos da Balança aumentaram; em 2000 e 2001, os saldos da Balança Corrente deterioraram-se devido a atrasos na implementação do novo Quadro Comunitário de Apoio, o que provocou uma redução acentuada na entrada de capitais no país.
O saldo da Balança Corrente atingiu novo máximo em 2003 e a partir desse ano decresceu. A entrada dos novos Estados-membros na EU e os atrasos na implementação dos Quadros Comunitários de Apoio explicam esse decréscimo.
BALANÇA FINANCEIRA (Ver Quadro A.4.15, página 221)
A Balança Financeira regista os fluxos que envolvem mudança de titularidade entre residentes e não residentes de activos/passivos financeiros e os fluxos de criação/extinção de activos/passivos financeiros sobre o Resto do Mundo. A Balança Financeira comporta cinco tipos de operações:
 Investimento directo – este fluxo regista do lado do crédito a compra ou a criação de uma nova empresa por um investidor não residente (investimento directo do exterior em Portugal). No fluxo do lado do débito regista-se a aquisição ou a criação por residentes de empresas localizadas fora do espaço da União Europeia (investimento directo de Portugal no exterior);
 Investimento de carteira – este tipo de investimento refere-se à compra de produtos financeiros por residentes no nosso país e à compra de produtos financeiros na Bolsa de Valores de Lisboa por parte de não residentes;
 Derivados financeiros – este tipo de fluxo representa a compra de derivados por não residentes na Bolsa de derivados e vice-versa;
 Outro investimento – este fluxo corresponde aos créditos comerciais e aos activos não considerados reserva, incluindo também a obtenção por residentes de empréstimos ou a constituição de depósitos em bancos não residentes;
 Activos de reservas - incluem a crédito os activos das autoridades monetárias considerados reserva, isto é, activos de não residentes na Zona Euro e expressos em moedas de países de fora da Zona Euro. Temos, como exemplo, os títulos do Banco de Portugal denominados em euros e emitidos por entidades residentes fora da Zona Euro.
SALDOS DA BALANÇA FINANCEIRA (Ver Quadro A.4.15, página 221
A Balança Financeira portuguesa, entre 2004 e 2007, apresentou saldos positivos. Para este valor do saldo contribui, sobretudo, o crescimento do investimento directo do exterior em Portugal.
O aumento da posição devedora de Portugal face ao exterior deve-se à necessidade da economia colocar dívida junto de não residentes, que não tem sido compensada pelos afluxos de investimentos directos e em acções do exterior em Portugal (Ver páginas 157, 158 – Quadro 7.2 e Gráficos – 7.1 e 7.2)
EXERCÍCIO:
Observe os seguintes valores referentes à economia portuguesa, em 2003:

Rubricas Importações Exportações Saldo
Mercadorias 41 462,2 28 630 A
Serviços 7 132,4 10 369,2 B
Rendimentos 9 101,4 5 773.6 C
Transferências Correntes 2 898,5 6 381,8 D
Transferências de Capital 183,8 2 157,8 E
Aquisição/cedência de activos 23,7 28,3 F
Investimento directo 25 553,7 G
8 814,2
Investimento de carteira 181 967,6 185 185.6
Derivados financeiros e outros activos 412 545,1 417 344,8

Pedidos:
a) Calcule a Taxa de Cobertura.
b) Interprete o valor obtido anteriormente.
c) Determine o saldo da Balança Corrente.
d) Interprete o valor calculado na alínea anterior.
e) Determine o valor do investimento português no exterior.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Balança de Transferências Correntes

ESTRUTURA DAS IMPORTAÇÕES E DAS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS
Para além de se estudar a evolução do saldo da Balança de Mercadorias é também importante analisar a estrutura das Importações e das Exportações, pois permite obter diversas informações, nomeadamente o grau de competitividade das nossas Exportações, o Grau de Especialização da nossa economia, ou seja, qual o tipo ou tipos de produtos com que concorremos nos mercados externos. Será que esses produtos são de elevada especialização, que incorporam alta tecnologia? Ou, antes, será que produtos de baixa especialização, que utilizam muita mão-de-obra e reduzido recurso a tecnologia?
PEDIDO: analise estas questões utilizando o link do Relatório do Banco de Portugal. Para as Importações, o Quadro 4.11 (página 118). Para as Exportações utilizar o Quadro 4.3 (página 108) e o Quadro 4.7 (página 114).
TAXA DE COBERTURA
Utiliza-se este indicador económico para avaliar a situação existente no Comércio Externo de Mercadorias de um país. Este indicador é calculado, apenas, para o comércio de mercadorias. Este indicador é calculado, apenas, para o comércio de mercadorias, utilizando-se a expressão:
Taxa de Cobertura = (Valor das Exportações : Valor das Importações) x 100 =
A Taxa de Cobertura pode assumir três valores:
 Inferior a 100%: significa que o valor obtido com as exportações de mercadorias apenas permite pagar parte do valor das importações efectuadas pelo país, o que reflecte uma situação de défice da Balança de Mercadorias. É necessário utilizar as divisas existentes e/ou contrair empréstimos externos para cobrir o défice. No caso da taxa de cobertura ser igual a 75%, o défice corresponde a 25% do valor das mercadorias adquiridas ao Resto do Mundo;
 Superior a 100%: significa que o valor obtido com as exportações permite pagar a totalidade das importações de mercadorias, ou mesmo excedendo, e o país acumula divisas, o que reflecte uma situação de superavit da Balança de Mercadorias. No caso da taxa de cobertura ser igual a 100%, o excedente corresponde a 120% do valor das mercadorias adquiridas ao Resto do Mundo;
 Igual a 100%: a Balança Comercial está equilibrada, o valor das exportações é igual ao das importações e o país não utilizou nem obteve mais divisas.

PESO DO COMÉRCIO EXTERNO
O Peso do Comércio Externo reflecte o valor do comércio externo na actividade económica, traduzindo o Grau de Abertura do país ao exterior e calcula-se da seguinte forma:
Peso do Comércio Externo = (Valor das Importações + Valor das Exportações) x 100 =
PIBpm
Deste modo, o Peso do Comércio Externo indica-nos a percentagem do valor das Importações e das Exportações no total da despesa efectuada num país em determinado período de tempo, em regra um ano.
Exercícios:
1 - Analise o seguinte quadro:
Países Peso do Comércio Externo
País A 55,1
País B 65,4
País C 34,2
 Explique o significado da expressão “Peso do Comércio Externo”
 Caracterize cada um dos países representados, no que respeita ao seu Comércio Externo
 Suponha que num determinado ano, o país A registou 147 milhões de euros de Importações e 123 milhões de euros de Exportações. Calcule a taxa de cobertura desse ano.
2 – Considere a seguinte tabela:
Comércio Internacional euros
1998 1999 2000 2001
Importações 34 491 37 506 43 257 44 054
Exportações 22 252 23 026 26 39 27 323
Saldos
Fonte: Anuário Estatístico, 2002
 Calcule os saldos para cada um dos anos;
 Calcule a Taxa de Cobertura para cada um dos anos;
 Explique o significado de uma Taxa de Cobertura igual a 100%
BALANÇA DE SERVIÇOS (Ver Quadro A.4.15, págs. 221, 222)
Regista os luxos entre Residentes e Não Residentes, de Seguros, de Transportes, de Direitos de Utilização, de Viagens e de Turismo. A Balança de Serviços apresenta, geralmente, em Portugal, um saldo positivo por influência do Turismo.
O valor deste serviço regista, por vezes, flutuações acentuadas devido aos períodos de recessão ou de crescimento económico. Em períodos de forte expansão económica, a tendência é para o aumento das receitas do turismo. Para além do desempenho e económico dos diferentes países, também a existência de paz e de segurança a nível mundial favorece o turismo, possibilitando o aumento das receitas do mesmo.
BALANÇA DE RENDIMENTOS (Ver Quadros A.4.15 e A.4.16, págs. 221, 222)
A Balança de Rendimentos regista os fluxos de rendimentos do trabalho e do investimento. A Balança de Rendimentos portuguesa tem registado défices de valor absoluto crescente entre vários períodos (1998 a 2001), (2003 a 2005). Este facto resultou, segundo o Relatório do Banco de Portugal, da descida das taxas de juro.
BALANÇA DE TRANSFERÊNCIAS CORRENTES (Ver Quadros A.4.15 e A.4.16, págs. 221, 222)
A Balança de Transferências Correntes regista fluxos sem retorno, ou seja, sem qualquer contrapartida e mercadorias, de serviços ou mesmo de aplicações financeiras e de investimentos. A Balança de Transferência Correntes regista:
 As remessas de emigrantes e de imigrantes;
 As pensões e as reformas dos migrantes que regressam definitivamente ao seu país;
 Os fluxos financeiros associados à cooperação com outros Estados, as dádivas (doações) e as indemnizações.
A Balança de Transferências Correntes portuguesa registou, entre 1996 e 2004, saldos positivos, mas de valor crescente até 2000.a partir deste ano de valor decrescente. Este comportamento está associado a uma retracção registada pelas remessas dos emigrantes e ao aumento das remessas dos imigrantes, em virtude do forte fluxo de trabalhadores do Leste da Europa.
EXERCÍCIO: Interprete com base no Relatório do Banco de Portugal, o saldo da Balança de Transferências Correntes para o período compreendido entre 1998 a 2007 ( Ver Quadros A.4.15 e A.4.16, págs. 221, 222)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Balança de Mercadorias

A BALANÇA DE MERCADORIAS
A Balança de Mercadorias ou Balança Comercial, como é por vezes designada, regista os fluxos monetários relativos às transacções de mercadorias entre um determinado país e o Resto do Mundo, isto é, as transacções de bens de consumo final, de bens em curso de fabrico e de matérias-primas e subsidiárias.
O saldo da Balança de Mercadorias resulta da diferença entre as Exportações (Créditos) e as Importações (Débitos). A observação da tabela seguinte, permite afirmar que:
Balança de Mercadorias (2004) (Saldos em % do PIB)
Bélgica 2,7 Itália 0,0 Polónia -2,2
Rep. Checa -1,0 Chipre -26,2 Portugal -10,5
Dinamarca 3,7 Letónia -20,3 Eslovénia -3,9
Alemanha 6,8 Lituânia -10,6 Eslováquia -3,5
Estónia -17,5 Luxemburgo -10,2 Finlândia 6.7
Grécia -15,1 Hungria -3.0 Suécia 6,6
Espanha -6.1 Malta -15,8 Reino Unido 5,2
França -0,4 Holanda 7,1
Irlanda 21,2 Áustria 1.1
Fonte: Eurostat,Europe in figures, 2006
 A Irlanda, a Holanda e a Alemanha são três dos países da EU que apresentam saldos positivos na Balança de Mercadorias (superavit). O valor das exportações excedeu o valor das importações de mercadorias possibilitando ao país a entrada de divisas;
 Portugal, conjuntamente com a maioria dos países da EU, apresenta um saldo negativo na Balança de Mercadorias (défice). O valor das exportações foi inferior ao valor das importações, o que representa uma situação desfavorável para o nosso país, uma vez que saíram mais divisas do que entraram no país.
EXERCÍCIO: O organismo oficial da EUROLAND divulgou os seguintes valores referentes ao comércio externo de mercadorias. Por defeito de impressão, não foram apresentados alguns dados, pelo que os técnicos tiveram de, à última hora, calcular os respectivos valores.
MERCADORIAS
Valores em milhões de unidades monetárias
Anos 2001 2002 2003
Importações 1 256 X 2 356
Exportações X 1 200 3 457
Saldo 245 - 12 X
a) Calcule os valores em falta
b) Interprete o valor do saldo da Balança de Mercadorias em 2001
c) Utilizando o último Relatório do Banco de Portugal e após localizar o Quadro da Balança de Pagamentos (cujo link está no blogue da disciplina, publicado em 2008/11/29 - Quadro A.4.16), determine:
I. O Saldo da Balança de Pagamentos para os anos posteriores a 2004;
II. Interprete os valores dos saldos encontrados.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Divisas. Operações de câmbio

Divisas. Operações de câmbio. Desvalorização da moeda.
Se viajarmos, actualmente, para fora das fronteiras da Zona Euro, necessitamos, não de €, mas de outras moedas como libras, dólares, coroas dinamarquesas e litas para efectuarmos os pagamentos quando nos deslocamos, respectivamente, ao Reino Unido, aos Estados Unidos da América, à Dinamarca ou à Lituânia. Da mesma forma se passa para as empresas importadoras dos países da Zona Euro, e que têm necessidade de efectuar os pagamentos na unidade monetária dos países fornecedores dessas mercadorias ou numa moeda aceite no mercado internacional como meio de pagamento. Os importadores necessitam de divisas, isto é, de meios de pagamento internacionais (dólares, libras ou euros) ou de ouro proveniente das reservas dos bancos centrais nacionais.
Divisas = são as unidades monetárias e as reservas de ouro utilizadas no pagamento do comércio internacional.
Comércio externo = envolve a intervenção dos agentes económicos em dois mercados: o mercado de bens e serviços /efectuam as compras e as vendas de bens ou de serviços) e o mercado de câmbios (trocam a unidade monetária interna pela unidade monetária de que necessitam para concretizar a operação anterior).
Por exemplo: uma empresa importadora de café do Brasil necessita de reais para pagar o valor do café importado e, por sua vez, o exportador de têxteis portugueses para o Japão obriga o importador japonês a procurar € em troca dos ienes.
Os países que possuem moedas diferentes são, portanto, obrigados a proceder à troca da moeda nacional estrangeira para efectuarem os pagamentos das mercadorias, dos serviços e da cedência de capitais, recorrendo, por isso, ao mercado cambial. Nesse mercado é definido o preço da moeda estrangeira, a taxa de câmbio.
Taxa de câmbio = traduz o preço da moeda estrangeira, ou seja, o valor a que é possível trocar moeda de um país pela moeda de outro país.
A Taxa de Câmbio ou Taxa de Câmbio Nominal não leva em conta as diferenças nos preços entre países. Pode ser calculada de duas formas diferentes:
a) Pode representar o número de unidades de moeda estrangeira que se pode comprar com uma unidade de moeda nacional;
b) Pode ser definida como o número de unidades de moeda nacional que se tem de dar para comprar uma unidade de moeda estrangeira.
Exercício: Actualize os valores das taxas de câmbio da tabela a seguir representada.
Para o efeito, utilize a informação disponível no seguinte link: http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=CN_HOMEPAGE
Divisa estrangeira/ euro Euro/divisa estrangeira
Dólar dos USA 1,577 0,6341
Real do Brasil 2,7199 0,3677
Libra esterlina 0,7857 1,2728
Coroa dinamarquesa 7,4594 0,1341
Fonte: Diário de Notícias, 2008/3/18.
Registo das relações com o Resto do Mundo – a Balança de Pagamentos
Relativamente ao quadro atrás representado verifica-se que:
a) São necessárias 0,7857 libras para comparar 1 € (coluna esquerda);
b) São necessários 1,2728 € para comprar uma libra (coluna direita).
A partir deste momento, sempre que se refira a utilização de câmbios, será identificada como o número de unidades de moeda estrangeira que se pode adquirir com 1 €.
Já vimos atrás que, é no mercado cambial que é definida a taxa de câmbio. Neste mercado, admite-se que o Estado não intervém, a taxa de câmbio é estabelecida através da procura e da oferta de moeda estrangeira. Neste caso estamos perante o regime de câmbios flexíveis.
Câmbios flexíveis = este regime ocorre quando o Estado não exerce qualquer interferência no funcionamento do mercado cambial.
Neste regime, os desequilíbrios nas transacções de um país com o Resto do Mundo são momentâneos, pois a taxa de juros sofre as alterações necessárias ao ajustamento e à reposição do equilíbrio. Assim, as alterações na taxa de câmbio garantem o equilíbrio sistemático das contas externas.
Exemplo: um dado país possui como taxa de câmbio da sua moeda, face ao real do Brasil, o valor de 3,2 u. m. por real. Em 2002, e que existia equilíbrio das contas externas. Em 2003, as exportações desse país foram, num determinado momento, superiores às importações, a taxa de câmbio dessa moeda nacional apreciou-se e assistiu-se à valorização dessa moeda face ao real, que passou para 3,4 u. m. por real.
Perante esta situação haverá aumento das importações, pois o país poderá comprar mais mercadorias ao estrangeiro com a mesma quantidade em moeda; as mercadorias estrangeiras tornaram-se mais baratas. As exportações reduziram-se, uma vez que a mercadora nacional colocada no mercado externo passou a ter um preço superior em reais, em virtude de alteração dos preços da moeda nacional. As contas externas deixaram de se apresentar equilibradas. O país A importou mais mercadorias do que exportou, o que obriga a moeda do país A a desvalorizar-se face ao real, isto é, a taxa de câmbio passa para 3.05 u. m. por real.
Valorização = de uma moeda dá-se quando se está em presença de um aumento do seu valor relativamente a outras unidades monetárias;
Desvalorização = ocorre quando a moeda perde valor comparativamente com as restantes.
Exercício: Comente a seguinte frase “num contexto de forte inflação os países vêem com bons olhos a valorização das suas moedas”
Flexível Obtida pelo mercado
Taxa de Câmbio
Fixa Definida pelo governo
No regime de câmbios flexíveis, a taxa de câmbio é flexível, o seu valor não é definido oficialmente, mas determinado de acordo com a oferta da moeda no mercado de câmbios.
A existência de câmbios “totalmente” flexíveis raramente ocorre. O que sucede é que o Estado e/ou os Bancos Centrais nacionais intervêm no mercado de câmbios comprado e vendendo divisas e desta forma controlando, ainda que de maneira incompleta, o valor da moeda. Se a moeda nacional está a valorizar-se (a aumentar o seu valor), então o Banco Central poderá ordenar a venda de moeda nacional de forma a evitar o aumento da taxa de câmbio, procedendo de forma inversa quando ocorre uma desvalorização.
Contrariamente ao regime de câmbios flexíveis, existe o regime de câmbios fixos. Aqui. O Estado determina administrativamente uma determinada taxa de câmbio que vai procurar estabilizar no mercado cambial. No regime de taxas de câmbios fixos, o valor da taxa de câmbio é estabelecido por intermédio da política governamental.

Regime de câmbios fixos = ocorre quando as autoridades monetárias interferem no funcionamento do mercado cambial e há a determinação administrativa da taxa de câmbio.
Em Portugal, durante vários anos, o Banco de Portugal apresentou, diariamente, as taxas de câmbios indicativas. Estas forneciam às Instituições Financeiras Monetárias uma orientação sobre os valores a que deviam proceder na compra e venda de moeda estrangeira.
Desde Janeiro de 1999, o Banco Central Europeu passou a coordenar a política monetária e a política cambial da Zona Euro, começando, assim, a definir a taxa de câmbio do euro e a intervir no mercado cambial de forma a determinar as taxas de câmbio, através da compra ou da venda de moeda estrangeira. Hoje, os Estados da Zona Euro, entre eles Portugal, não podem utilizar a política de desvalorização, uma vez que as políticas monetária e cambial são competências do Banco Central Europeu.
Exercício: Recolha notícias dos jornais ou de sites da internet relativas ao comportamento do euro no mercado cambial.
Elabore uma síntese a partir da informação recolhida.
Até meados da década de 90 do século passado, Portugal utilizou, por diversas vezes, a desvalorização para corrigir o défice da Balança Comercial e acentuar a competitividade das mercadorias exportadas.
A desvalorização provoca a alteração dos preços expressos em moeda estrangeira. Por exemplo se um exportador residente no nosso país vendeu cortiça no valor de 1 milhão de escudos (aplica-se o escudo em vez do euro, porque o Estado português actualmente não pode utilizar esta política) à República Checa. O importador checo teve de converter a coroa checa em escudos. Utilizando a taxa de câmbio de 6,4 coroas checas por escudo, teve de trocar 6,4 milhões de coroas checas por 1 milhão de escudos.
Depois de desvalorização, verifica-se que o importador checo não tem necessidade do mesmo montante em coroas checas para obter 1 milhão de escudos. A taxa de câmbio passou a ser de 5,8 milhões de coroas por escudo. O importador checo necessita apenas de 5,8 milhões de coroas para comprar a mesma quantidade de cortiça a Portugal. A desvalorização contribui para a redução do preço da cortiça em coroas checas, o que contribuirá para o aumento das exportações. Processo inverso acontece com as importações realizadas pelas empresas residentes em Portugal quando há desvalorização da moeda. O facto de o escudo convertido em coroas checas representar um menor valor vai originar o aumento dos preços dos bens importados avaliados em moeda nacional e vai contribuir para a redução das quantidades importadas desses bens.
Com a criação do euro, os governos dos países da zona euro perderam a possibilidade de controlar a taxa de câmbio nominal através da compra e da venda de euros, mas não perderam a possibilidade de alterar a taxa de câmbio real.
A competitividade das diferentes economias está associada a vários factores, entre eles a taxa de câmbio nominal e os preços internos e externos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Balança Corrente (gráfico)


Registo das relações com o Resto do Mundo – a Balança de Pagamentos
Tipos de saldos:
 Défice: C < D
O valor das exportações é inferior ao valor das importações, não permitindo o pagamento da totalidade das importações, não permitindo o pagamento da totalidade das importações. O país terá de utilizar as divisas ou de contrair empréstimos para pagar a totalidade das importações;
 Superavit: C > D
O valor das importações é inferior ao valor das exportações permitindo o pagamento da totalidade das importações e a obtenção de divisas;
 Nulo: C = D
Trata-se de uma situação de equilíbrio – o valor das exportações é igual ao valor das importações – o país não obtém nem utiliza as suas divisas
O gráfico anterior apresenta a evolução do saldo da Balança Corrente em alguns dos principais espaços de comércio mundial, entre 2003 e 2006. Assim, verifica-se que os USA apresentam saldos negativos e de valor absoluto crescente, o que se traduz no agravamento do défice. Ao contrário dos USA, verifica-se que os restantes espaços apresentam Balanças Correntes com superavites e de valor crescente. A única excepção a esta regra ocorre na área do Euro. Neste espaço constata-se que o saldo da Balança Corrente melhorou entre 2003 e 2004 e a partir desse ano deteriorou-se, apresentando em 2006 um défice.
A Balança Corrente pode assim ser dividida na seguinte forma:

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Balança de Pagamentos (registo)

 O registo das relações com o Resto do Mundo – A Balança de Pagamentos
Os países precisam, a cada momento, de saber o volume das suas transacções económicas com o Resto do Mundo e, também, a evolução registada pela compra e pela venda de mercadorias, de serviços ou de capitais.
Os fluxos de entrada e de saída de meios de pagamento correspondentes aos fluxos de mercadorias, serviços e capitais são registados na Balança de Pagamentos de cada país.
Em Portugal, os registos das transacções entre o nosso país e o Resto do Mundo são efectuados pelo Banco de Portugal. A actual estrutura da Balança de Pagamentos portuguesa foi implementada em 1998 e tem em conta as orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Sistema Europeu de Bancos Centrais garante, a partir de 1998, a harmonização dos processos de cálculo da Balança de Pagamentos no interior da União Europeia. É esta harmonização (procedimentos idênticos nos processos de cálculo da Balança de Pagamentos) entre os diversos países que possibilita a utilização dos dados das respectivas Balanças de Pagamentos na comparação do desempenho das suas economias e na análise da evolução de cada uma delas ao longo dos tempos.
A Balança de Pagamentos é constituída por três componentes relativamente homogéneas:
o A Balança Corrente;
o A Balança de Capital;
o A Balança Financeira.
Análise das Importações/Exportações:
O estudo da estrutura da Balança de Pagamentos exige o conhecimento dos dois tipos de fluxos característicos do comércio externo. Este tipo de comércio comporta dois tipos de fluxos:
o Exportações: de mercadorias, de serviços e de capitais. Por exemplo, as exportações de mercadorias representam a venda ao Resto do Mundo de mercadorias e o consequente recebimento de divisas, como pagamento da compra efectuada pelo resto do Mundo. É o caso da venda aos USA do nosso vinho do Porto;
o Importações: de mercadorias, de serviços e de capitais. Por exemplo, as importações de mercadorias representam a compra ao Resto do Mundo de mercadorias e a consequente saída de divisas do país. É o caso da compra de petróleo à Arábia Saudita, por Portugal.
Com isto é fácil de entender que “as exportações representam a entrada de divisas no país e são registadas a crédito”, enquanto “as importações dão origem a uma saída de divisas do país e são registadas a débito”.
 A Balança Corrente
É uma das balanças que constituem a Balança de Pagamentos e regista os fluxos de mercadorias, de serviços, de rendimentos e de transferências correntes que o território nacional efectua com o Resto do Mundo. Integra as seguintes sub-balanças:
a) Balança de Mercadorias;
b) Balança de Serviços;
c) Balança de Rendimentos;
d) Balança de Transferências Correntes.
a) Balança de Mercadorias: aqui registam-se os fluxos relativos aos recebimentos e pagamentos das mercadorias entre o nosso país e o Resto do Mundo;
b) Balança de Serviços: aqui registam-se os fluxos relativos aos recebimentos efectuados pelo Resto do Mundo em resultado dos serviços de transporte, de prémios de seguros de viagens e turismo e de direitos de utilização de activos intangíveis não produzidos e não financeiros. Estes são os direitos de patentes, as marcas, os “copyright” e os “franchising” que lhe foram prestados. Da mesma forma, são registadas como importações as saídas de divisas devido à compra de serviços ao Resto do Mundo;
c) Balança de Rendimentos: aqui registam-se os fluxos de entrada de divisas no país correspondentes aos rendimentos do trabalho e aos rendimentos de investimentos (com excepção dos rendimentos das transacções de derivados financeiros) de residentes a trabalhar ou a investir no exterior. De igual modo, são registados como importações os fluxos da saída de divisas para pagamentos de rendimentos auferidos por não residentes no país;
d) Balança de Transferências Correntes: aqui registam-se as transferências públicas como; os fundos correntes da União Europeia, com excepção dos recebimentos do fundo de Coesão e do PEDIP e de parte dos recebimentos e do FEDER e do FEOGA – Orientação. Os fluxos financeiros associados à cooperação entre estados, como as ajudas militares para a manutenção da paz, são registados nesta balança. São também registadas as transferências privadas, como os donativos às famílias, as remessas dos emigrantes/imigrantes e as indemnizações entre residentes e não residentes.
 Saldo das balanças.
Ao calcular-se a diferença entre os créditos (exportações) e os débitos (importações) de cada uma das balanças atrás referidas, obtemos o seu SALDO.
SALDO = C - D